sexta-feira, 20 de agosto de 2010

As cenas mostradas nos noticiários da televisão e nas fotos dos jornais nesse fim-de-semana me fizeram lembrar dos tempos da "escuridão", na Idade Média e na Inquisição, onde os corpos dos grandes vilões e pecadores eram expostos em praça pública para "deleite" da platéia. Que razões levam hoje pescadores a desembarcar nas praias de Búzios e de Arraial do Cabo dezenas de carcaças de tubarões mortos?


Muito se discutiu se seriam tubarões da espécie cabeça-chata ou da espécie galha-preta. No entanto, o mais importante não é definir a espécie e seu potencial de ameaça aos seres humanos. Até porque o Rio de Janeiro está praticamente livre de ameaças de ataque de tubarão (nos últimos 84 anos somente 09 ataques foram registrados no Estado do Rio de Janeiro). O mais importante é conseguir perceber o que estamos fazendo com os tubarões em nossa costa e identificar o grau de ameaça a que eles estão expostos.
Agora, nesse episódio, os pescadores extrapolaram os limites do bom-senso. Capturar uma quantidade muito grande de tubarões em um curto intervalo de tempo e em uma mesma área, torna a pesca insustentável e pode criar a curtíssimo prazo um forte desequilíbrio na teia alimentar da região. Não se retira do ambiente marinho 350 animais em poucas horas sem que a Natureza reclame. Ainda mais quando se tem o agravante da maioria ser composta por fêmeas, muitas delas grávidas (algumas abortaram seus filhotes na praia, conforme foi presenciado por nossa equipe na região). Acrescente-se a isso o fato de que essas fêmeas levaram de 10 a 15 anos para atingir sua maturidade sexual.
 

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