sexta-feira, 20 de agosto de 2010

As cenas mostradas nos noticiários da televisão e nas fotos dos jornais nesse fim-de-semana me fizeram lembrar dos tempos da "escuridão", na Idade Média e na Inquisição, onde os corpos dos grandes vilões e pecadores eram expostos em praça pública para "deleite" da platéia. Que razões levam hoje pescadores a desembarcar nas praias de Búzios e de Arraial do Cabo dezenas de carcaças de tubarões mortos?


Muito se discutiu se seriam tubarões da espécie cabeça-chata ou da espécie galha-preta. No entanto, o mais importante não é definir a espécie e seu potencial de ameaça aos seres humanos. Até porque o Rio de Janeiro está praticamente livre de ameaças de ataque de tubarão (nos últimos 84 anos somente 09 ataques foram registrados no Estado do Rio de Janeiro). O mais importante é conseguir perceber o que estamos fazendo com os tubarões em nossa costa e identificar o grau de ameaça a que eles estão expostos.
Agora, nesse episódio, os pescadores extrapolaram os limites do bom-senso. Capturar uma quantidade muito grande de tubarões em um curto intervalo de tempo e em uma mesma área, torna a pesca insustentável e pode criar a curtíssimo prazo um forte desequilíbrio na teia alimentar da região. Não se retira do ambiente marinho 350 animais em poucas horas sem que a Natureza reclame. Ainda mais quando se tem o agravante da maioria ser composta por fêmeas, muitas delas grávidas (algumas abortaram seus filhotes na praia, conforme foi presenciado por nossa equipe na região). Acrescente-se a isso o fato de que essas fêmeas levaram de 10 a 15 anos para atingir sua maturidade sexual.
 


Um pescador filipino matou um dos tubarões mais raros do planeta, conhecido como tubarão-boca-grande (Megachasma pelagios) – e depois se alimentou dele. O animal, de quase 500 quilos e quase 4 metros de comprimento, foi apanhado próximo às ilhas Burias, na região central das Filipinas.

Gregg Yan, representante da ONG internacional WWF – World Wide Fund for Nature – no país, tirou fotografias do tubarão e tentou dissuadir o pescador de comer o animal (apesar deste tipo de carne ser o principal ingrediente dos pratos locais). Mas não teve sucesso na tentativa. O abate ocorreu em 30 de março, mas somente hoje foi divulgado pela WWF.

A comunidade científica conheceu essa espécie de tubarão apenas em 1976, quando um deles foi pego no Havaí. Estimativas davam conta da existência de apenas 40 tubarões-boca-grande no planeta. “Esse seria o animal número 41”, afirma Yan.
O tubarão-boca-grande é um animal dócil, que vive nas profundezas do oceano, e alimenta-se por filtração, mantendo a sua enorme boca aberta para pegar plâncton e medusas.

tubarao branco

O tubarão branco é um peixe predador considerado como o maior de sua espécie existente nos dias de hoje. Em casos raros e extremos, esse animal pode pesar até 2,5 toneladas e medir até oito metros, sendo que seu tamanho e peso não influenciam muito para deixá-lo menos ágil, já que o formato de seu corpo proporciona baixa resistência à água e as nadadeiras fornecem velocidade necessária para sua caça.
Assim como a maioria dos peixes sem pescoço, o tubarão branco não é muito eficiente pare realizar curvas muito fechadas e nem subidas muito íngrimes. Mas isso não o isenta de ser um dos animais aquáticos mais perigosos que existem na atualidade. Alimenta-se basicamente de qualquer peixe ou mamífero que lhe possa servir de comida como leões-marinhos, focas, pinguins, peixes de menor porte, algumas baleias pequenas, seres humanos, etc. Percebe o odor da vítima através de uma substância que é liberada na água por qualquer indivíduo, sendo está acentuada se existir sangue na água.

tubarao